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Sobre a tela de um lençol azul
a pele alva, cândida
pintada em aquarela
de suor e de luz,
estendida...emoldurada.
Contornos suaves...traços precisos
obra de arte de divina inspiração,
fonte masculina de puro desejo,
perdição.
O tempo suspenso, imerso
e o universo,
ateliê da mistura das nossas cores,
texturas,
e sabores.
Vestia meus olhos de amor
e meu corpo da nudez, imoral
para esculpir beijos nos lábios macios
rosados,
perfeitamente desenhados.
Ao som do silêncio audível,
deslizava sobre a figura branca
pincelando o pecado
com óleo feminino
de essência floral, inconfundível.
A manhã se aproximava
e o êxtase, dádiva sagrada,
elevava, transcendia
e sem cessar se repetia.
Chovia das mãos dos deuses
como estrelas cadentes
nas pinturas e esculturas,
sobre as mentes arredias
de dois seres murmurantes,
dois artistas
que ousaram amar,
criar,
ser,
e viver na vida, tardia.
Andréia
K.
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