A procura de um amor


Sara, uma jornalista de 32 anos, trabalhava em uma agência de publicidade, naquele dia levantou-se cedo. Era um dia como outro qualquer. Por volta das 8h já estava em frente a seu prédio, esperava sua amiga Bete que lhe dava carona todos os dia, já que Sara não sabia dirigir. Como de costume Bete chegou Às 8h 10.
- Bom-dia, Bete !
- Bom dia ! - respondeu Bete sem grandes entusiasmos.
Sara ficou um pouco insatisfeita com a frieza da amiga, mas resolveu esquecer o fato, pois já estava chegando a seu destino.
Ao chegar ao centro da cidade, Sara se despediu de Bete, desejando que ela melhorasse de seu mau humor.
- Beijinhos, querida, vê se amanhã você acorda com mais pique.
- Tchau, vou tentar - responde Bete.
Há vários meses que Sara não se sentia tão bem disposta, cheia de vontade de trabalhar. Afinal começará um novo projeto que prometia lhe trazer um crescimento profissional real. Desde que começara a trabalhar naquela empresa, Sara nunca tivera uma chance como aquela, havia dois anos que esperava por esta oportunidade, agora ela era real.
- Bom-dia !!! grita Sara, ao entrar em sua seção de trabalho.
- Bom-dia, chefinha, viu passarinho verde ? - pergunta Carla, sua secretária.
- Não, querida, os passarinhos verdes, eu deixo para você. Apenas estou cheia de vontade de colocar em prática tudo que planejei ontem. - responde Sara um pouco surpresa com a observação de Carla. A verdade é que fazia muito tempo que Sara não via "passarinhos verdes", e estava verdadeiramente precisando vê-los. Ao entrar em sua sala seguida por sua fiel escudeira, Sara pergunta:
- Algum recado ?
- Sim, o Diretor quer vê-la ainda esta manhã, apesar de não ter me adiantado o assunto, acho que é sério. - responde Carla com ar de preocupação.
- Hum ! será que vão colocar caroços em angu ? Sara ficará muito preocupada, não tinha uma boa relação com o Diretor, um homem amargo e incompetente.
- Bem, então vamos lá! Por favor, avise ao poderoso que eu estou subindo.
Sara sai de sua sala em direção ao elevador. Sua cabeça estava um pouco confusa, já visualizava tragédias em sua mente. Finalmente o elevador chega.
- Bom-dia! 3º por favor. - fala automaticamente ao ascensorista. O elevador leva uma eternidade para chegar ao 3º andar, ao descer Sara promete a si mesma que não vai se humilhar para ninguém, mesmo correndo o risco de ter seu projeto barrado. Ao chegar a porta da sala do Diretor Marcelo, Sara respira fundo e entra.
- Olá, Cláudia, o Sr. Marcelo está me esperando.
- Só um minutinho, Sara, irei anunciá-la - responde a secretária miudinha, lindamente vestida em seu terninho verde.
Minutos depois a secretária volta com um sorriso no rosto.
- Por favor, Sara, me acompanhe. Sara segue Cláudia; ao entrar na sala de Marcelo, tem uma grande surpresa; ele estava acompanhado de um "Deus Grego". É Apolo em pessoa, pensa Sara. Moreno, olhos verdes, boca carnuda, enfim, era o tipo de homem que toda mulher deseja.
- Entre por favor, Sara - convida Marcelo, levantado-se para recebê-la.
- Este é Ulisses, nosso novo publicitário.
- Seja bem-vindo - Sara estava um pouco intimidada, não sabia direito o que Ulisses estava fazendo ali e o que tudo isso tinha a ver com seu novo projeto.
- Obrigado - agradece Ulisses, lançando um olhar desconcertante para Sara.
- Bom, vamos direto ao ponto, li seu projeto e adorei - fala Marcelo para a surpresa de Sara.
- Que bom! Confesso que estava com um pouco de receio de ter de brigar com você - Sara fala em tom de brincadeira.
- Se o projeto fosse ruim, certamente eu barraria, sou muito bom de briga minha querida -
- responde Marcelo, também em tom de brincadeira.
Você deve esta se perguntando o que o Ulisses está fazendo aqui, acertei? - Marcelo tenta adivinhar.
- Grande Marcelo, sempre lendo os pensamentos de seus funcionários, claro que estou. - Sara fala olhando para Ulisses - uma sensação estranha apoderou-se de seu corpo, como se aquele homem estivesse desvendando sua alma.
- Não tem mistério, o Ulisses está aqui para ajudá-la no projeto - Marcelo sente um certo prazer ao dar a notícia para Sara, afinal ela sempre fora sua maior rival.
- Como ajudar no projeto? - Sara sente seu corpo tremer de ódio, sabia que aquele verme não deixaria que ela triunfasse "Que merda", pensou Sara, vou ter de dar satisfação para um cara que eu mal conheço.
- O Ulisses é "expert" em publicidade, tenho certeza que vocês formarão uma bela dupla - fala Marcelo, aproximando-se de Sara - Minha querida, não tema, o projeto é seu, niguém vai roubá-lo - provoca Marcelo.
- Senhorita Sara, eu vim para ajudá-la na implementação do projeto, não tenho nunhum interesse em "puxar seu tapete" - fala Ulisses, que a até então se mantinha calado.
- Não tenho receio, sei que o projeto é meu, portanto, só aceito a sua colaboração se sob meu comando - Sara fala com a voz trêmula dirigindo-se a Ulisses - saiba que não podia abrir mão do comando, seria como ganhar e não levar - tenho certeza que poderemos fazer um trabalho legal, desde que você esteja disposto a receber ordens.
- Como queira, como disse antes, venho para colaborar - responde Ulisses.
- Se é assim podemos começar o trabalho amanhã, espero você em minha sala as 10h, tudo bem? - Sara levanta-se - como não tenho mais nada para fazer aqui, queiram me dar licença - Sara sai da diretoria sem olhar para trás, estava com um ódio que nunca sentira antes - "Quem aquele diretorzinho pensa que é ? Um dia hei de esmagar aquele bosta" - envolta em seus pensamentos entra em sua sala.
Carla, cancele todos os meus compromissos para hoje, vou para casa, preciso organizar meus pensamentos - Chegando em casa, após uma longa manhã, ela tentou se distrair vendo televisão, ou navegando na Internet. Quando os pensamentos libidinosos sobre Ulisses retornaram com toda voracidade. "Aquelas coxas grossas e bumbum arrebitado andavam em minha direção, quase explodindo a costura da calça que detalhava seu magnífico membro. Eu já estava completamente louca de desejo. A boca carnuda tocava meus lábios, minha língua quente encontrava-se com a dele, sua mão abria meu vestido e manejava-me com toda a técnica de um amante profissional. Eu abaixava sua calça e ao abaixa-la, fui surpreendida com seu sexo desnudo, completamente nu. Seu dedo médio adentrava em meu sexo, ouvia um pequeno gemido ao pé do meu ouvido. Ele aumentava o ritmo. Agora com dois dedos, eu tentava acompanhá-lo. Minha boca procurava seu peito, para que minha língua pudesse acariciar seu mamilo. Eram gemidos misturando-se em plena sala de almoxarifado da empresa, até que fôssemos presenteados de um gozo gostoso e profundo..."
Seu sexo ainda latejante e inchado, contendo o resto do seu gozo, era reflexo e mais um desejo que não fora concretizado. Levantou-se, foi ao banheiro tomar um longo banho. Desligou seu notebook, e foi deitar totalmente nua. Caiu de bruços na cama, o vento que adentrava a varanda tomava conta de seu corpo, e embalava mais uma noite de fracasso.
Acordando de manhã cedo, mais um dia de rotina na vida de Sara, tomara um banho demorado, e apenas uma xícara de café com pedaço de bolo comprado em um supermercado qualquer. Seguiu rapidamente para a empresa. Ela sabia que este seria o seu grande dia.
- Bom dia Carla, assim que o Sr Ulisses chegar, mande-o entrar por favor - Falou Sara sem esperar resposta.
- Bom, bom, Sara por favor, escute-me - Carla, faz sinais para que Sara, pare e lhe dê atenção.
- Fala Carla, mas por gentileza seja breve, tenho que me preparar para receber a "fera" - Sara, já estava bastante irritada com a insistência de Carla.
- Sara, a "fera" já está em sua sala - Carla, fala baixinho, sabia que sua chefe iria ficar uma fera por tê-lo deixado entrar em sua sala.
- O quê ??? - Sara, perdeu a respiração, sabia que não podia enfrenta-lo sem antes se preparar, não depois do sonho que tivera com ele - e você deixou que ele entrasse em minha sala ? - finalmente Sara consegue dizer algo.
- Não minha querida, simplesmente ele não pediu permissão - Carla, estava amedrontada, sabia que Sara, não admitia insubordinação.
Sara, ergue-se do sofá e segue em direção a sua sala, sabia que não poderia adiar aquele encontro, teria que segurar todo seu desejo, era inútil, seu sexo já começara dar sinais de vida.
- Bom-dia, Sr. Ulisses, se não me falha a memória combinamos de nos encontrar as 10h.
- Bom-dia, senhorita Sara, perdoe-me, realmente estou um pouco adiantado é que gostaria de falar com você antes de começarmos o trabalho.
Sara sentiu sua excitação aumentar, Ulisses, a encarava de uma maneira intrigante, em seus olhos o medo podia ser notado com facilidade. Sara imaginava que aquele homem estava sentindo o mesmo desejo que ela sentia por ele, uma coisa extraordinária, nunca sentira algo semelhante por homem nenhum, estava disposta a realizar o sonho da noite passada. Sara vira-se para Ulisses de uma maneira insinuante e diz:
- Fale Ulisses, sei o que você esta sentindo, espero que quando o pessoal da empresa souber não tenham nenhum preconceito contra nós.
- Quanto a mim, acho que é cedo para as pessoas saberem, quero que você entenda que acabei de assumir isso dentro de mim, é tudo muito novo - desabafa Ulisses um pouco confuso.
- Será como você quiser meu querido, mas fale, quero ouvir sua confissão em alto e bom som - Sara estava empolgadissima, não imaginou que seria tão fácil, estava prestes a conseguir o que sempre almejará: um homem só para si.
- Sara, fico muito satisfeito que você entenda meu problema, o que não passava por minha cabeça era que você também é homossexual. Que alivio mulher !

 

Márcia Serafim

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