|
Burocracia
Bolo,
café, queijo e leite colocados em cima d mesa por D.
Quitéria. Seu Estevão depois de tomar seu café,
sai cheio de esperança. A rua está deserta, pois
são 4:30 da manhã , não há ninguém
na rua, só um de vez em quando um carro. Um vira-lata
acompanha Seu Estevão até o ponto de ônibus,
mas logo sai desanimado pois o primeiro ônibus só
passa as 5:00 horas.
Estevão chega ao seu destino e certifica-se que a placa
de precisa-se ainda permanece na porta. É melhor sentar,
pois só a alfaiataria só abre às 8:00 horas.
Mas Seu Estevão vê um menino vendendo sorvetes...não
resiste e compra um.
__É aqui que estão precisando de alfaiate?
__Aguarde um minuto, seu...
__Estevão dona, Estevão...
A moça demora não um minuto, mas vinte e cinco.
Olha para Estevão como se já o conhecesse, ou
conhecesse alguém igual a ele e diz:
__Volte amanhã Seu Estevão e traga em dia todos
os seus documentos...Ah, venha cedo.
No dia seguinte: bolo e café, o leite já havia
acabado e D. Quitéria não pode fazer o queijo.
Seu Estevão beija a testa enrolada da esposa e atravessa
a porta afirmando que tudo vai dar certo.
Antes mesmo de abrir a alfaiataria Estevão esperava sentado
num canteiro de flores. O sorveteiro passa e oferece sorvetes,
mas Seu Estevão depois de examinar a velha carteira,
abaixa a cabeça e diz "hoje não".
Passado algum tempo, Seu Estevão entra na alfaiataria
e com um sorriso cansado cumprimenta a recepcionista:
__Bom dia!
__Bom dia, posso ajudá-lo?
__Vim por causa da vaga de alfaiate.
__Trouxe sua documentação?
__Sim. Só ficou faltando a carta de referência,
mas trago amanhã.
__Então o Senhor volte amanhã dia onze, pois dia
doze fecharemos a loja durante cinco dias para fazer a manutenção
de algumas máquinas.
Na mesa, só café preto, depois de tomar duas xícaras,
Estevão levanta-se sem olhar para a esposa e sai. Caminha
devagar e pensativo, pálpebras caídas e o braço
"formigando", uma dorzinha chata no peito...Estevão
cai.
Depois de uma semana internado em virtude do enfarto, Seu Estevão
vai para casa "quase bom". Lembra-se da vaga de alfaiate,
e no dia seguinte, levanta bem cedo.
Na mesa? Nada. D. Quitéria toma um copo de água.Estevão
não bebe nada.Já não tem o dinheiro do
ônibus, mas possuía todos os documentos e a carta
de referência.
Cansado e suado, Seu Estevão chega à alfaiataria.
A recepcionista o cumprimenta como se não se lembrasse
dele. Estevão sorri e apresentando os documentos diz:
__A vaga, vim por causa da vaga de alfaiate...
E a moça sem piedade diz:
__A vaga já foi preenchida há dois dias.
Estevão volta para casa sem ônibus, sem café
da manhã e sem esperança.
|