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Amar-te é como estar preso
a um arame farpado.
Se me mexo, sou ferido
imóvel, sou esquecido
abandonado.
Meu coração foi pregado
e crucificado
num peito arfante,
num cárcere escuro e privado.
O soldado passa, sorri
com dentes de chumbo
E me serve, por caridade
um prato fundo
de nuvem, esperança
que me deixa o gosto amargo e indigesto
de desilusão na boca.
Meu alimento usual...teu resto.
Ó Deus, ouve essa prece comovente
de um doente
Ajuda-me a me conformar
com a extrema-unção da tua gratidão
e com a dor que me deixastes como herança,
que dela sou o único beneficiário no teu testamento.
Ao menos o teu desprezo,
dedicastes exclusivamente a mim...
ao menos um sentimento.
Mas veja o engano que cometestes:
deixastes a dor
a um jurado, condenado
a morrer de amor.
A incerteza deste amar
que me faz penar e esperar...
Como é difícil não ter
e ter que ter pra dar...
é como morrer de sede
olhando p’ra o mar.
Me traz a paz que
um dia o desejo levou
porque hei de confessar-te:
eu hei de sempre amar-te
e sem ti, minha vida terminou.
Andréia
K.
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