Um Crime Passional?


- Ana Lucia F. dos Santos era o nome da infeliz, e eu o namorado. Muito estranho cara, mas ela não ligava para mim. Não que ela demonstrasse isso, mas eu podia sentir. Quando íamos aos motéis ela ficava toda excitada enquanto estava dentro do carro, mas quando chegávamos no quarto só queria dormir, transávamos e ela nem ao menos gemia, mas eu achava até normal isso, pensava que ela era comportada.
- Mas então porque a matou?
- Foi na sexta feira, nos havíamos comprado um carro no, um lindo carro. Ele era másculo com aqueles bancos de couro negro aquelas rodas lindas ele era simplesmente um Mercedes Benz branco com os vidros azuis e pinta de executivo mas na verdade seu motor era possante como um machão, sem falar no cambio se é que me permite essas particularidades aquilo é que era um cambio, cabeçudo e confortável. E aquela vadia tentou se apossar dele, tentou ter ele só para ela.
- E o senhor para evitar que sua namorada tomasse seu carro, disparou três tiros?
- Isso mesmo.
- Mas afinal o carro estava registrado no nome de quem?
- No meu, é claro.
- Pois então não haveria necessidade do uso da violência.
- O delegado acredita em matar por amor?
- Claro. Crimes passionais são freqüentes.
- Pois foi exatamente o que eu fiz, um crime passional. Naquele dia eu havia deixado o carro com a Ana. Pedi para que cuidasse bem dele, pois eu não voltaria para casa. Mas o senhor sabe, a saudade era muito maior do que o compromisso e eu resolvi fazer uma surpresa para ele. Quando cheguei em casa olhei na garagem e o carro não estava lá. Fui direto para a casa de Ana, a luz da garagem estava acesa, pensei comigo, essa safadinha saiu para pular a cerca e esta chegando agora, fui na ponta dos pés até a garagem, para ver se a flagrava ainda arrumando sua calcinha, seria o motivo ideal para eu romper nossas relações. Quando entrei na garagem não pude acreditar no que estava vendo. Ana estava sem roupa, e gemendo descontroladamente enquanto ia sentando no cambio da Mercedes, ela dava gritinhos e apertava os seus seios enquanto ia arranhando os bancos com a unha. Aquilo foi demais para mim, aquelas sem vergonha estava transando com o meu carro, e ele parecia estar gostando, só de imaginar ela possuindo aquele câmbio musculoso e cabeçudo, eu não me controlei saquei a arma que trazia em minha bolsa e disparei contra aquela indecente, para o adultero apenas desferi alguns arranhões em suas portas e latarias afinal ele não tinha culpa de ser um Mercedes. Joguei o corpo da vagabundo para fora do carro, e fui para casa limpar o sangue que o estava sujando perdi um certo tempo limpando seu cambio para que ele nunca mais se lembrasse do cheiro daquela sem – vergonha. Foi isso doutor, mas antes de mais nada eu quero dizer que sou Réu primário e dei apenas um tiro, portanto quero ser julgado por um crime passional.
- Crime passional?

 

Sidarta Batista da Silva

 

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