Da Menina

 

Houve um tempo em que eu sorria
Em que não era em vão nascer o dia
Em que ao fechar os olhos te sentia
De verdade, do meu lado, ou pela magia
Que une dois namorados em estreita sintonia
Um encanto...eu sei...havia.

De que tipo, de que espécie
Quantidade ou qualidade
Não importa
Só não sabia que do teu expirava
O prazo de validade
Estou morta
Lançada no espaço, no buraco negro
pra vagar sem destino
O destino...
Palavra ingrata essa
Que me pregou essa peça.

Tá tudo tão claro, tão vazio
E estou aqui, morrendo de frio
Sim, meu anjo de asa quebrada
Esse mesmo corpo que em teus braços suava
E essa voz que na cama, o teu nome sussurrava
De dor e de febre de ser escrava
Da loucura de ser tua
Por um dia, uma hora ou a vida inteira
Tudo bem...tanto faz...
Contanto que fosse você o meu capataz

Era sempre você, homem
Meu avesso, meu tropeço
Meu paradeiro
Meu delírio, minha paz
Meu canteiro
Onde cultivei todo dia a frágil flor 
Que só se abre pra um besouro
E fiel, o guarda como ouro
Fechando suas pétalas de amor.

Essa sou eu...fomos nós
Por tão pouco tempo
Até que o impiedoso vento
Te assoprou pra longe de mim
E me fez de presença à lembrança
Mas eu sou criança
Que não aceito partir tão cedo
Sem tentar, sem sonhar
Que não tem medo
De pedir pra você voltar

Mas eu sou tão mulher
Que se apavora
E que te quer tanto, 
Por isso chora
Mas também sorri 
Com a mesma intensidade
Que às vezes não se vê
Aos teus olhos, insanidade
Não tema, não te assusta
Homem, sou menina-moça
Pura e louca
Por você.


 

Andréia K.

 

 

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