Efêmera Fêmea

 

Tão só...
Solidão de dar dó...

O peito tão cheio do pulsar
A mente do sonhar
O corpo de querer se dar 
E eu, tão só...
Solidão de dar dó...

Trinta dias sem luar
Litoral sem mar
Solidário ao meu penar
E eu, tão só...
Solidão de dar dó...

As folhas das árvores nem balançam
O balanço nem balança
Um parque sem criança
Nem passarinhos cantando
A voz não passa da garganta
E tudo é cinza, estático
O mundo nem gira
O sol mecânico sobe e desce
A lua nem brilha
As lágrimas matam a sede
Salgam a boca, milagre ao contrário
Que antes era oceano de palavras
Agora é o Mar Morto, hilário.
Palhaço sem graça.
Do pó à terra, da terra ao pó
E eu, tão só...
Solidão de dar dó...

Por que cantam o amor
Fazem-no parecer bonito
Vírus nojento de loucura
Que machuca a carne
Que aprisiona o espírito

Viver, morrer, tanto faz...
Me deixa em paz...
Vestir minha asa lilás
Ser borboleta, bela, breve e fugaz
Que voa tão só...
Solidão de dar dó...

 

Andréia K.

 

 

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