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A
hora, esperta
paquerava
o tempo.
Achava-o
sábio,
mas
muito lento
Empurrou
ponteiros, apressada
procurava
algo, intrigada
que
a fizesse parar,
cansada.
Sol
a sol, correndo
observava
pessoas envelhecendo
e
à medida em que
se
movimentava,
alguém
partia...
alguém
chegava...
O
tempo, experiente
analisava
a adolescente...
calmamente,
disse à menina hora:
"feche
os seus olhos agora
e
só abra quando eu permitir,
não
importa o que sentir"
"Aceita
o trato?" disse o tempo.
"Se
apresse, não tenho folga!
Pego
carona com o vento
e
o mundo todo à minha volta!"
Com
os olhos apertados
percebeu
a fuga dos minutos
de
mãos dadas com os segundos.
Sentiu-se
descontrolada
e
o tempo, resoluto,
clamou
pelos instantes profundos
tomando
nos braços a amada
Tocou-lhe
os lábios entreabertos
à
princípio, hesitante
e
com um gesto incisivo
consumou
beijos secretos
que
sonhara, tão distantes...
À
hora, imóvel e extasiada
sumira
o chão e a noção
de
a que lugar estava, elevada
O
tempo, impetuoso
apaixonado,
mas cauteloso
soltou-a
lentamente
para
que corresse
novamente
ao seu destino
e
sorvesse
a
sensação do contato vertiginoso
Andréia
K.
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