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O Dia
Surgistes dourado, rasgando a noite de minh'alma
flutuando...e no firmamento azul dos olhos
ofuscastes o brilho das estrelas infinitas dos meus
sonhos.
Despertastes com o clarão de um sorriso
as gralhas que dormiam nos galhos das araucárias
esquecidas, queimadas da geada
impiedosa,
devastadora.
Do sul, foste ao alto de meu céu
pela ponta da flecha do Cruzeiro
e amanhecestes quente em minhas folhas
cobertas, mudas, frias...
Vês, filho da Aurora?
Olha a água que me escorre, minha seiva
Olha o sangue que circula em minha veia
Ouve os pássaros cantar
vê a flor desabrochar...
Olha, filho da Aurora!
Minhas gotas caem na terra seca
nas sementes trazidas pelo vento
tão sedentas do teu calor
germinam lentamente...olha!
Outrora inférteis, infecundas
enraizam, tomam força
e dão frutos de amor....
Vês, filho da Aurora?
Há nascentes entre as rochas
e em todas as encostas
brota o verde, brota vida!
Sente o cheiro da relva fresca
da paisagem pitoresca
virgem, inusitada
nunca antes explorada
pelos raios de calor
de um homem
uma estrela
Astro
sol do meu amor...
A noite
Mas a tarde vai caindo...
e a lua vai subindo
imponente e dependente da tua luz
Gira em torno de teu ser
e anoitece todo dia
me impondo minha cruz.
Lá de cima me observa, vitoriosa
te aprisiona sem piedade
cresce, mingua
cheia, nova
Posso vê-la em minhas lágrimas
que escorrem de saudade...
Desce, lua covarde
que te esconde, que me arde
Vem pra Terra ser mortal!
Vem provar da dor da ausência
de um eclipse total!
Pobre lua...doce criança...
tu não sabes, pequenina
egoísta e possessiva
que se engana de esperança...
O sol é menino e brilha
inquieto e virtuoso
por mais que tente escondê-lo.
Deixa que ele nasça, lua
deixe sê-lo!
És esposa? Tem amantes
que só pedem que aqueça
e que amanheça
incessante...
reluzente...
glamuroso...
Andréia
K.
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