Mandala

Dei-me a ti, feito hospedeiro
Navegastes, nau frágil embarcação
Deixada à deriva, no sereno
Marejando, sem perdão

Profano altar dos teus desejos
Incauta beata, devota à religião
da que fostes o mago e o padre nosso,
santo adorado em procissão

Dai-me a graça, deus todo-poderoso
do teu beijo, tua unção
para que remida, não blasfeme
bruxa herege, maldição

Pois que minguo sem a hóstia
do teu corpo, do teu sangue,
da sagrada comunhão
de dois seres condenados,
em um só, inebriados,
de pecado, de paixão.

 

Andréia K.

4º lugar no II Concurso UniABC de Poesia

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