Meia-noite de Vênus



Ela estava ali,como um anjo ingênuo. Chamando por mim,em seus sonhos,tão ardentes...Ela era uma ninfa,apenas esperando pelo seu bárbaro violar sua inocência.
Quem eu era? Apenas um estranho,a observando pela fechadura longe do Olimpo.
Entre seus sussurros e gemidos quase inaudíveis, ela me ansiava. Desejava mais do que tudo que eu a visitasse.
Naquele quarto escuro, onde a luz da lua era a única que refletia nossos corpos reluzentes,naquele cetim vermelho de sangue,foi quando a tentação foi concretizada.
Ela me seduzia,e me deixava extasiado apenas com o remexer de seus quadris sobre mim. Aquela língua que passava pela extensão de meu corpo,ávida por ver meus pêlos arrepiando-se com seu toque...
Era proibido,e nós dois sabíamos disso. Mas não importava,nada mais importava a não ser agrada-la com o ritmo ideal de nossa dança. Eu a desejei,eu a tive.
A cada movimento brusco,ela gemia baixinho,como uma garota assustada,e pedia que eu puxasse seus cabelos,ou lambesse aquele cálice branco por onde sua cabeça pendia.
Estávamos perdidos,como dois anjos condenados pelos céus, mas estávamos unidos,como se fôssemos apenas um.
Nossos corpos ardiam. Eu sentia o fogo daquela pele tão pálida me queimando. Aquelas cerejas, tão carnudas e vermelhas, convidando-me para um banquete. Cerejas que pareciam ter sido banhadas pela chuva.
Tão quente e tão frio ao mesmo tempo. O relógio parava naquele instante...minha alma saía de meu corpo...logo que senti meu êxtase mor chegar. Eu gritei...de prazer e satisfação ao mesmo tempo. Ela gritou de desejo e desespero,como se precisasse mais daquilo para sobreviver.
Olhei fundo em seus olhos...ela sorriu. Virou as costas,e cobriu aquele corpo nu com o vermelho sangue,que destacava sua pele,tão pálida como parafina...sim,ela era o fogo. Branca como parafina,envolvida num vermelho sangue que me tentava.
Aquela, a noite em que o insaciável tornou-se vício.
Era meia-noite quando adormeci.

 


Kitty

 

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