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Há poesia em teu olhar, homem de canela
E no teu gosto, que meu instinto incendeia
Um feitiço, uma teia
Que me faz presa, fêmea frágil e intensa
Entregue ao pecado, fruto da costela
Teu
corpo é firmamento,
Um universo silencioso, infinito de estrelas
Onde me atiro e flutuo sem gravidade
Nem constrangimento...
Todas as mulheres que queira, sê-las
Repousar em mim a tua saciedade
Vertiginosamente,
sigo vagando pelo espaço
Masculino e voraz dos membros teus, pela fenda
Deixada pela porta que se fecha
Um quarto, uma cama... um laço, uma tenda
São menores que o cenário que me habita
E por onde se movimenta
A paixão, o desejo, a amante... desperta
Nem
mais belos, nem maiores
São teus braços longos e sensuais
Daqueles que envolvem meus sonhos
nem mais doces, nem mais quentes
Os lábios que saboreio, devaneios
sem iguais
Nem
mais salgado, nem menos precioso
O suor que brota em tua pele morena
Ou as coxas rijas e suntuosas
Que te erguem, e me fazem serena
Vislumbrando ou sentindo-as,
voluptuosa
Nem
mais brandos ou menos sinceros
Os gemidos surdos nas noites permissivas
ou os servos da vontade: os gestos singelos
que te assombram de tão cheios de verdade
És
tu... nome de anjo... apenas tu a incandescer,
inflamar
minh'alma feminina, e a me inspirar
A ser poetiza, meretriz e discípula
Da única religião, de toda moral que cala uma
Nação
E que despe corpos e palavras de preceitos sem razão
É a fidelidade à essência... ao próprio
coração
Mais eterno que o segundo
Que funde um homem e uma mulher
Misturando líquidos, cores e sussurros
Pela inércia do querer,
É o instante em que ambos se entregam
Ao tempo, aos sentidos, a si mesmos
Sem receio... por assim permanecer.
Andréia
K.
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