Olho pela janela e vejo a escuridão,
mergulhado em pensamentos atormentados pela tua ausência,
onde havia um coração,
só restou uma mancha negra que aumenta com o passar dos
dias.
No
silêncio da noite,
posso ouvir as criaturas que vagam através dos tempos,
aproximam-se para saciarem a sua fome,
nessa mancha escura de dor e sofrimento.
Deixo
que se alimentem para que a libertação final aconteça,
mas esses seres também precisam beber,
e não querem secar a fonte da escuridão,
então deixam um pequeno pedaço para que a dor
a faça crescer novamente.
Na
noite seguinte,
bebem no cálice das lágrimas,
imploro para que acabem o que tu começaste,
para não morrer a noite e renascer para morrer outra
vez.
Tu
me mostraste os campos do amor,
e agora me atiras no mar da desilusão,
sou apenas peça sem valor,
de um triste jogo para os prazeres dos deuses.
Não
consigo sair dessa escuridão,
vago em corpo e alma,
abraçado pela angústia que insiste em ser minha
companheira,
e sinto medo das vozes em meu pensamento.
O
choro das almas acorrentadas,
imploram que eu continue assim,
mas peço para que Átropo corte o fio da vida,
e o meu espírito encontre a paz e a luz.
William Pincerno
|