Por que?



Porque a dúvida atormenta
E o coração que responder
Chega o limite e arrebenta
Parece que vai enlouquecer
O sol está dormindo
Mas o corpo não pode relaxar
A paciencia vai diminuindo
Lágrimas começam a rolar
Será o único atormentado
Este gasto coração
Tão jovem e remendado
Onde cala a emoção
Esta dúvida não se divide
Entre razão e emoção
Porque estes se misturam
E levam o corpo ao chão
A hora é alta e nem o corpo
Já consegue suportar
O espírito quase morto
É momento de sonhar
Os sonhos são confusos
Não lhe mostram saída
Tábuas soltas sem parafusos
Não deixa alma resolvida
Agora o sol está nascendo
E o espírito menos morto
Faz o corpo continuar vivendo
Com a cabeça em desconforto
E a rotina que sufoca
Não lhe disponta nenhum sorriso
A angústia bate a porta
Tenta evitar o abismo
Ao longe ve um luz
Chamando espírito e corpo
Distante claridade que traduz
O fim de tanto desconforto
O coração palpita forte
E já começa cicatrizar
As marcas de profundo corte
Que um dia veio sangrar
Aos poucos este corpo levanta
Sente frio, mas não volta ao chão
Puxa uma macia manta
Pra proteger o coração
A rigidez dos primeiros passos
Não conseguem desanimar
Este ser que um abraço
Vaga para encontrar
A luz continua pequena
E o coração bate apertado
A distancia parece a mesma
Ao sentimento sufocado
Os passos adquirem ritmo
O corpo não se apoia mais
A luz alcança os olhos
A escuridão se desfaz
Agora as lágrimas rolam
Impulsos e brisas de alegria
É o fim daquela estrada
É o início de um novo dia !


Liliane Guedes Soares                                                 

 

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