Psicose Urbana

 PSICOSE URBANA


Toca o telefone no 11.º Distrito Policial de São Paulo, é encontrado morto e dilacerado o Deputado Estadual Renato Mendes.
Nenhuma testemunha, nem pistas o caso ficou sendo investigado no decorrer da semana.
Na semana seguinte é encontrado nas mesmas condições o corpo do ministro da justiça Nicomendes do Amaral no Litoral de São Paulo onde passava o fim de semana com a amante Fernanda Reis, modelo, ela declarou que na noite do crime o ministro recebera uma ligação, saiu logo em seguida e disse que voltaria logo.
Todos os políticos temiam por suas vidas e aumentavam seus cuidados de segurança.
Dois dias depois o presidente da câmara municipal de São Paulo Roberto Cândido recebe um pacote bomba que explode ferindo vários outros políticos presentes no local, no decorrer da noite são roubados do IML os corpos dos políticos vítimas da explosão e encontrados dilacerados pouco tempo depois, o país ficou perplexo e a notícia correu mundo a fora.
Suspeitava-se de uma onda de crimes políticos no país.
Não demorou muito e mais uma vítima nas mesmas condições, dessa vez o desembargador Luiz Freitas, parte de seu corpo foi jogado ao rio Tietê, não houve testemunha, apenas foi encontrado o carro do desembargador abandonado próximo ao local do crime, no banco de trás um paletó, dentro de um dos bolsos um cartão de um Frigorífico e no verso a data do crime.
O dono do estabelecimento Carlos Britos foi investigado e descobriram que ele mantivera negócios obscuros como flaudes, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e muita corrupção com as vítimas, tendo tido ele grande prejuízo com as recentes rupturas dessas relações, a polícia suspeita de vingança, Carlos Britos foi preso jurando inocência.
No dia seguinte é encontrado morto nas mesmas condições das outras vítimas o vereador de Ribeirão Pires João Tucano, um vereador de pouco peso comparado as outras vítimas.
Após várias investigações descobriu-se que Carlos Britos e João Tucano eram velhos amigos e que iniciaram recentemente negócios obscuros envolvendo dinheiro público do município de Ribeirão Pires, Carlos Britos tentava reerguer-se do recente prejuízo unindo-se com políticos de menor peso, o irmão de João Tucano, José Cabral também estava envolvido.
José Cabral não era político, era pequeno empresário e possuía um açougue que servia como fachada para lavagem de dinheiro, isso evitava suspeitas de relações corruptas com o empresário Carlos Britos, grande fazendeiro e dono do Frigorífico Boi Manso, este último fechado pelo prejuízo que levou com a ruptura de relações com as vítimas políticas.
Novas investigações apontam para um ex-funcionário do Frigorífico Boi Manso, o fornecedor Paulo Silva que continuou vendendo carne em nome do já fechado Frigorífico Boi Manso aos pequenos e médios açougues que não sabiam do fechamento do Frigorífico.
José Cabral também comprava carne do frigorífico, mas como as negociatas estavam em início e seu contato com Carlos Britos era por intermédio do irmão, não soube do recente fechamento do Boi Manso, ele declarou que pouco antes do irmão ser morto Paulo Silva ligou para o açougue a procura do irmão João Tucano em nome do empresário Carlos Britos, Tucano foi logo em seguida ao encontro dele, mas Paulo Silva apareceu duas horas depois dizendo que esperara por João Tucano e que este não apareceu, por isso viera pessoalmente ao açougue ver o motivo da demora, José Cabral disse a ele que o irmão foi ao seu encontro e que provavelmente houve um desencontro, então Paulo Silva deixou a costumeira carne de amostra pegou o dinheiro e disse que voltaria no outro dia.
Imediatamente Paulo Silva foi preso, a carne vendida foi examinada e constatou-se que pertencia a João Tucano, Paulo Silva confessou os crimes, exames psicológicos revelaram que Paulo sofria de complexo de opressão, de tanto ouvir as pessoas reclamaram dos políticos e das injustiças que sofriam por eles, Paulo quis ser o Vingador Social, soubera das negociatas do patrão e aproveitou-se das informações obtidas, armou emboscadas contra as vítimas, matava-os, cortava-lhes as carnes e a vendia aos açougues para que os oprimidos como ele devorassem quem lhes devoravam.

 

Elaine Teixeira

 

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