Segundas Intenções


Durante muitos anos de minha vida trabalhei como um escravo, tentei encontrar condições mais dignas formando-me em Direito e seguindo a carreira com um sócio num pequeno escritório em São Paulo, mas nunca fui muito longe, havia muitos outros escritórios de advocacia, tinha poucos clientes e muitas despesas e ainda por cima fui roubado pelo meu sócio que nunca encontrei, acabei falindo.
Então passei a acreditar que precisava encontrar novos caminhos para o sucesso rápido e fácil, foi quando conheci D. Laurinda Lisboa, uma coroa de sessenta anos, viúva de dois maridos e divorciada de três, muito rica e solitária, resolveu comprar um novo marido e fui eu o escolhido.
Ficamos casados por pouco tempo, semanas após nosso casamento ela andava muito doente, então com uma pequena ajuda minha ela bateu as botas e tudo que precisei fazer foi trocar seus remédios por vitaminas, ninguém descobriu nada.
No entanto aquela vaca velha soube se vingar muito bem, só me deixou de herança um apartamento de pouco valor, o resto foi para a única filha que eu nem sabia que existia.
A filha de Laurinda, Laura Lisboa, era casada com um norte-americano e morava nos Estados Unidos, viera ao Brasil para o enterro da mãe e receber a herança, quando a vi pela primeira vez fiquei surpreso, tratava-se de uma linda mulher.
Eu sabia que requerer a metade da fortuna na justiça não daria em nada, precisa de uma nova estratégia.
Assim como a mãe não foi muito difícil aproximar-me de Laura, era linda, mas ingênua e muito carente.
Ficamos amigos por algum tempo, ela não tinha muitos amigos no Brasil, quando ela passou a confiar em mim confidenciou-me muitas coisas, dizia-me que não via a mãe desde seu casamento e estava muito magoada com ela, pois já na infância não recebera as atenções e carinho materno, a mãe sempre a enviava à Europa para estudar e quando ficou moça, D. Laurinda arranjou-lhe logo um marido, pois sentia ciúmes da filha, já que possuía muitos amantes e não queria nenhuma outra mulher por perto, mesmo a filha.
O marido de Laura era um velho de cinqüenta anos e muito rico, mas nunca a fez feliz, não demorou muito e logo Laura e eu nos tornamos amantes.
Pelas noite de amor que tivemos tinha a certeza de que ela nunca tivera outro homem além do marido, pois era muito inocente, mas eu adorava aquela ingenuidade, seria capaz de tê-la para o resto da vida.
Laura vinha sempre a minha procuro, buscava me agradar com carinho, surpresas, dinheiro, carros e muitos outras coisas, seria mais fácil e satisfatório do que eu imaginava.
Um dia ela veio a mim em lágrimas com a face ferida de um golpe, o marido desconfiava de sua infidelidade e resolveu voltar com ela para os Estados Unidos naquele mesmo dia, então, resolvi ir para lá logo depois de sua partida.
Continuamos nos encontramos em Nova York, ela dizia que queria a separação, mas o marido era muito violento e se recusava a isto e fazia-lhe muitas ameaças, eu prometi que a protegeria e propus um assassinato, ela temia, recusou-se no começo, mas eu a convenci.
Eu mesmo faria o serviço, Laura saiu de casa naquela noite, dispensou os empregados e deixou as portas dos fundos aberta para eu entrar.
Quando entrei na casa e dei de cara com o marido indefeso tapei-lhe a boca e cortei-lhe a garganta, mas de repente entrou a policia com Laura logo atrás, em plantos atirou-se sobre o corpo do marido chamando-me de assassino, não consegui entender nada e fui preso logo em seguida.
Na cadeia chamei um amigo no Brasil, contei-lhe toda a história e pedi para que investigasse aquela vagabunda.
Ele obteve muitas informações, descobri que aquela vadia nunca fora uma mulher carente ou ingênua, tinha muitos amantes e conhecia bem homens como eu, fez-me acreditar que tinha o poder para induzir-me a propor o crime.
A mãe tinha razão em suas suspeitas sobre a filha, ela seduzia seus amantes, Laura era esperta, nunca deixou a mãe descobrir, mas como se Laurinda soubesse da natureza da filha tratou de distanciar-se dela.
O tapa que Laura levou no dia de sua partida foi de um outro amante, o marido descobriu seus casos e queria a separação, mas não lhe daria nada de sua fortuna.
Meu amigo continuou investigando Laura por algum tempo, mas logo morreu num acidente de carro, não sei se foi acidente.
Hoje já não há mais tempo para mim, estou preso sob as leis norte - americanas, estou no corredor da morte e minha hora chegará em vinte minutos, nunca poderei me vingar daquela maldita piranha.



Elaine Teixeira

 

 

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