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Há a vontade de transformar a quem se ama em eterno para
que nada se macule ou degenere. Mas a eternidade tem seu itinerário
e é outra a paisagem que nos habita: lagos tranqüilos
e suas aves pernaltas em mergulhos bruscos sem medir a profundidade
das águas. Sei que não quero olhar só o
espelho das águas e imaginar seu sorriso que me sobressalta,
apesar de natural. Há a promessa de jamais deixar o outro
olhar sozinho para o horizonte. Mas o que é eterno e
seguro? O ser que se ama adormece, como o rei, em sua condição
precária e tangível. Não, não o
quero eterno, quero-o humano, com seus defeitos e dores, porque
também me laceram como uma pedra arremessada ao lago
gerando círculos concêntricos que não se
sabe aonde param. Uma hora esse universo de círculos
inseguros que inventaram, e suas marcas que nem sempre querem
adormecer, também descansam. São flexíveis.
Confesso: parece tudo metafísica, mas aprendi a confiar
em quem amo.
Solange
Sólon Borges
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